40!
40!
40!
Ainda não me são indiferentes as quatro décadas que distam desde o dia em
que nasci. Nunca conseguirei sair incólume da pressão que a passagem do tempo
exerce sobre mim. Ainda que tantas vezes tivesse desejado que ele desse
passadas maiores que os minutos que lhe compõem as horas, a verdade é que este
percorrer inexorável me deixa sempre um aperto que sabe a melancolia. Aceito
com alegria e felicidade mais um aniversário mas terei sempre de respeitar esta
essência emocional que me rege e me faz sentir as coisas tão profundamente que
um desprender delas me parece acção impossível ainda que me encham os ouvidos
dos habituais clichés (que eu própria utilizo junto dos ouvidos dos outros)
para amenizar os efeitos da passagem do tempo.
São 40! 40!
E no entanto, parece que foi ontem que nasci e que percebi que nunca me
iria conhecer. Quase consigo tocar com os dedos no meu eu inicial que
entretanto cresceu e se desenvolveu. Aprendi muito nestes 40 anos (40!!!) e
espero poder manter sempre este processo de acumulação de sabedoria que, apesar
de não nos retirar idade, é mesmo das melhores coisas que a vida pode
proporcionar a alguém. O que se perde em anos, ganha-se em aprendizagens e é
este o equilíbrio que, não sendo perfeito, nos sustenta e afaga a existência.
Cheguei aos 40 anos e guardo comigo uma série de memórias aos retalhos cuja
junção daria uma manta que muito bem adornaria qualquer espaço meu. Aqui e ali
chegam-me recordações de momentos vividos, recriados por memórias sobrepostas
que envelhecem mas não se apagam e que formam o conjunto que me constitui.
Afinal de contas, eu sou o que as minhas memórias dizem de mim. Gosto de sentir que cheguei aos 40 num suave equilíbrio
entre maturidade e actualidade. Sinto que tenho maturidade nas minhas acções
mas mantenho a actualidade nos meus gostos e no meu estilo de vida o que faz
com que a juventude se perpetue no espírito ainda que o exterior comece a
denunciar que os anos pesam na elasticidade da pele e no contorno dos olhos. Nada a fazer. O envelhecimento é certo e é esta sensação de prazo que nos deve mover para aproveitar sempre aquilo que os dias podem fazer por nós (ou melhor, tudo aquilo que nós podemos fazer pelos dias).
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