Este texto já era para ter sido passado para as teclas do
computador há quase 30 dias. Não passou de hoje este rotineiro atrasar de
transferir ideias para letras que sejam legíveis por outros.
Iniciei o ano com uma grande vontade de viajar. Talvez
porque a crise que tanto preenche os assuntos do quotidiano nos aumente esta
vontade de evasão até ao limite do experienciado. Talvez porque viajar me ocupe
o espírito como poucas outras tarefas o fazem. Talvez porque seja curiosa demais
para apenas ver no papel ou no ecrã aquilo que também posso tocar e cheirar. A
verdade é que tenho uma vontade imensa de ver, conhecer, bisbilhotar,
surpreender.
Viajar é assim como que uma terapia hedonista que ajuda a
calibrar os níveis internos de satisfação. Tem efeitos positivos enquanto está
a ser realizada e estes sentem-se mesmo depois de terminada, mesmo quando
somente nos restam memórias e momentos registados na imagem.
Façamos pois uma ode às viagens, ao mundo para além da
fronteira física e pessoal. Aos outros que habitam para lá do que é nosso, aos
espaços que trespassam os pisos que nos são familiares. Façamos das viagens um
encontro com o que há de melhor, em nós mesmos e em tudo o que é contemporâneo
da nossa existência. Façamos uma ode a ver o que vale a pena ser visto, a
contar o que vale a pena ser gasto em palavras.
Disparar a alma como um projéctil mas fluir como uma ave que
dança no vento, eis a metáfora clássica que tão bem explica a viagem.
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